PENSAMENTO

Por mais velhas e amarelas que sejam as páginas,
nem o tempo vai roubar a doce textura de uma pena
que sobre uma página solitária mergulha a sua tinta...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Até...



A 22 de Abril de 2009 dei corpo às palavras que teimavam em brotar em mim. Construí este blog e pintei-o a duas cores. Aqui lavei a alma vezes sem conta. Foi uma ponte para o outro lado de mim e para ti. Dei-me a conhecer como poucas pessoas me conhecem. E, volvidos pouco mais de dois anos, está na altura de encerrar este capítulo. Agradeço aos amigos que aqui conheci. Guardo as palavras com muito apreço e carinho. E porque sou nostálgico, vou deixar o blog aberto. Aqui vou voltar muitas vezes. Aqui está um pouco de mim. Um homem, um sonhador, um conjunto de reticências…

Parto para uma outra viagem. O mar das palavras é onde existo. É tudo…

domingo, 17 de julho de 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

A Maria Primavera


Hoje a Primavera entrou de rompante pela janela do quarto e mandou o Inverno embora. Eu sorri. Olhei o sol com bondade, espreguicei-me longamente e corri semi-nu para o banho. Gosto do dia 21 de Março. É o aniversário da Maria, a minha avó. Pensei nela. À hora em que me deleitava sob o chuveiro, ela deveria estar a dar de comer às galinhas ou na habitual azáfama do almoço. Ou talvez tivesse ido ao cabeleireiro, só para surpreender o meu avô Daniel. Gosto muito da Maria “Pequena”. A alcunha vem da sua baixa estatura. É muito querida e mimalha. Passa os dias a lamentar-se da vida, das dores nas costas ou nos pés. Em cada aniversário diz que vai morrer não tarda nada. E eu rio imenso. Sou bastante jocoso. Falo-lhe logo no testamento, na casa que quero herdar e dos planos que tenho para ela, só para ver os seus olhos arregalados e aquele sorriso malicioso de quem ainda está para ficar uns bons anos. Foi a Maria quem me criou. Quem me fazia companhia nas minhas brincadeiras no quintal, entretido com os berlindes, as minhocas e a bola de futebol. Era ela quem me levava à mercearia do senhor Chico ou à retrosaria da D. Adélia para comprar novelos de lã que depois se transformariam em camisolas quentes para o Inverno. Hoje a Primavera chegou. A Maria apagou várias dezenas de velas e sorriu. Eu beijei-a nesse preciso momento…
Parabéns avó. Amo-te muito!

No Império Do Silêncio


Há um silêncio estranho que me envolve num sufoco
Mal consigo respirar neste abraço emaranhado de ausência
Queria poder rasgar este colete de forças que me amordaça as palavras
Todos os gritos mudos que se soltam do peito…

Odeio esta distância sem fim
E assisto a tudo como um estranho
Pertença de ninguém…

A música ecoa baixinho como eu gosto
O cigarro morre na ponta dos meus dedos
Enquanto olho para um ecrã vazio de esperança…

E, no entanto, os meus dedos tocam todas as teclas do piano
São palavras de cor plúmbea como aquele mar que gostas tanto
As que ainda se libertam até morrerem na areia
No momento em que a esperança solta um último suspiro…

domingo, 20 de março de 2011

Feiticeira Nua


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis

sexta-feira, 18 de março de 2011

Sou


"Imagem no espelho
Raiz de pedra.
Corpo de vento,
Olhos de água.
Assim sou
Entre pássaro, flor e mágoa"

Luísa Dacosta

quinta-feira, 17 de março de 2011

Eu... o Mar...

O mar é uma das principais fontes de inspiração dos poetas, escritores e de todos os solitários que embriagados pela sua melancolia se deixam levar pelo embalo das ondas. E foi a pensar nesta poesia de palavras com sabor a mar que o fotógrafo poveiro Rui Sousa decidiu captar imagens únicas através da sua objectiva.




Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.

Sophia de Mello Breyner Andresen




Assim é o mar...
O outro lado de mim...
Onde metade de mim parte...
E a outra regressa...
De uma viagem sem fim...

O Alquimista